Tenho certa
predileção por Paradoxos. A própria palavra “paradoxo” soa bonito. Ela,
inclusive, está na minha lista de
palavras bonitas. (Sim. Eu tenho realmente uma lista de palavras bonitas).
Hoje me dei o luxo de
pensar. É! Penso que pensar hoje em dia é mesmo um luxo. Você não acha que
recebemos tanta coisa já “mastigada”? Pensamentos, ideologias... Aliás, você
sabe, sem acessar o “Google”, o nome de um pensador que não seja Aristóteles,
Platão ou Sócrates? (Gabriel Pensador?) Como diria a Pitty, há quem
pense por nós, e há máquinas para fazer coisas que não conseguimos ou temos
preguiça de fazer: máquinas de calcular, máquinas para fazer força, controle
remoto, players que analisam nosso humor e escolhem nossas músicas, e assim por
diante.
Aconteceu comigo o
que acredito acontecer com todos que param um pouco para “perder tempo”
refletindo. Começa-se com algumas perguntas, e ao invés de conseguir respostas,
conseguem-se mais perguntas ainda. Mas como dizem, são as perguntas que movem o
mundo.
Bem, indo ao assunto,
até que ponto a tecnologia ajuda? E quando passa a atrapalhar? Quando aproxima
e quando distancia as pessoas?
As tecnologias,
invenções humanas, foram criadas para melhorar a vida das pessoas, porém, para
isto ser bem sucedido é preciso bom senso, para saber como usá-la.
Sexo por telefone, namoro pela internet, cada segundo da sua
vida sendo publicado nas redes sociais... Será que a tecnologia está
substituindo as relações físicas?
É a vida virtual que está inserida na vida real ou ao
contrário? Estaremos nós vivendo nossa vida dentro do mundo virtual? A cada
minuto surge algo novo, ajudando a cultura do descartável a se multiplicar e se
espalhar; o que trás outros problemas de brinde, por exemplo, o acúmulo de
lixo, ou mesmo o desprezo social dos que não podem ter os aparatos da moda ou
mesmo saber lidar com eles. E crianças ainda de colo que sabem como manusear
aparelhos modernos, mas não sabem como se relacionar com outras crianças. Você
já leu “Quero ser um televisor”? Penso que tudo tende a piorar se não
abrirmos os olhos e tomarmos as rédeas. As nossas rédeas. Ou então, quem sabe,
em pouco tempo, quando nos pedirem nosso endereço, ou invés dedarmos o nome da
rua, daremos o link de um site de hospedagem.
Sei que cada um tem o direito de levar sua vida como bem
entender. Deus nos deu o livre arbítrio. Mas será que realmente fazemos o que
nós queremos? Ou compramos o que a televisão diz? Usamos o que os outros usam?
Cursamos o curso mais procurado, porque é o mais procurado? E assim por
diante...
Sei também que cada um pode usar a internet como quiser. Mas
me pergunto: será mesmo necessário, compartilhar com o mundo, cada segundo
vivido? Onde, como e com quem? Fotos, fotos e mais fotos. Fotos nossas de pessoas
que nem sempre somos nós. Talvez de alguém que queiramos ser? Já vi vários
casos de pessoas que foram roubadas, ou lesadas, por se exporem muito na
internet. É a tecnologia a favor de todos não é? Até da bandidagem. Isso que é
integração social não é?
Alguns seres por ai devem viver com uma câmera pendurada no
pescoço, para tirar fotos de tudo e postar tudo. Será que em certos casos não
seria melhor apenas viver o momento. A impressão que me dá é que às vezes o
registro torna-se mais valioso que a situação. Há um filme que demonstra isso
bem. Chama-se “A vida secreta de Walter Mitty”. Tanto falamos e lutamos
por liberdade, mas nos entregamos felizes a escravidão de alguns aparelhinhos?
(bem, se for um aparelho tipo um marca-passo a história já é outra)
Vi estes dias, uns japas que inventaram uma banheira que é
um computador que funciona como touch
scrin, para poder tomar banho jogando. Pergunto-me que banho vai tomar um
cidadão desses?
Mas claro, tem muita coisa boa nesse fantástico mundo
tecnológico. Mundo que cresce incessantemente por meio de mentes brilhantes,
para as quais tiro o chapéu. Como o caso do marca-passo já mencionado. As
próprias redes sociais, dependendo do uso. Por exemplo, para os carentes como
eu, basta postar: “Minha vida é uma M...” para receber uma enxurrada de afeto,
de pessoas preocupadas que não poderiam me abraçar pessoalmente. Vai dizer que
você nunca fez isso?
Enfim, esta situação torna-se ainda mais paradoxal, pois, eu
poderia estar discutindo isso tudo com um amigo enquanto bebemos uma cerveja em
um bar, mas estou digitando isso em um aparelho para colocar na internet.
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