domingo, 1 de setembro de 2013

monólogo do disamor


Numa sala escura uma luz amarela se acende para iluminar minha conversa com o espelho:
Quando ela do nada se transforma em seu tudo e torna-se seu mundo, um mundo maravilhoso que irá durar para sempre. E de repente seu tudo lhe tira tudo e diz que não quer mais nada. Ai você vê que realmente o pra sempre, sempre acaba.
Você sente o coração sangrando e a vida se esvaindo devagar. Da vontade de desejar que ela morra, mas você não quer que ela morra porque você a ama. E ai deseja morrer você mesmo. Só então percebe que vive de sonhos, e ela os destruiu todos. E que sendo assim já não vive mais.
E então, tudo que você não quer é vê-la e ouvi-la, mas como por mágica passa a pensar nela sem parar, vê-la em todo lugar e querer falar com ela. E se pergunta o que fez de errado. Mas a causa a essa altura já nem importa mais.
Os dois falavam várias vezes que eram importantes, e que jamais queriam perder um ao outro. Mas percebe que não só a perdeu, como também se perdeu. Doem-te repetidas vezes, cada palavra dela, cada coisa que ela escreve. E todo o corpo a deseja, a pele quer tocar, as mãos escrever, e os lábios dizer-lhe um “te amo tanto”, “volta pra mim”, “não sei viver sem ti”. Mas a cabeça não deixa, e você entra num conflito consigo mesmo, e obviamente sai perdendo. E por vezes consegue vencer o orgulho já ferido, e rasgando mais ainda o coração consegue proferir algumas destas palavras, que saem como que para liberar um grito entalado na garganta, e isto acaba piorando tudo.
O choro então rola, como que por milagre. Sim, você ainda sabe com fazer isso, mesmo após décadas sem derramar uma lágrima. E é estranho e de certa forma bom.
E quando finalmente ela responde pedindo desculpas e dizendo que te ama, mas infelizmente é impossível continuar. Uma falça sensação de alívio vem, mas logo é substituída pela tristeza de perceber que o que te restava se foi. A esperança.
E você dorme querendo sonhar com ela, ou que seja tudo um pesadelo que pela manha vai acabar. Mas adivinha? ... Não acaba e pela manhã você planeja como vai sobreviver sem seu coração. E te faltam forças para juntar os pedacinhos do coração. E anda de um lado para o outro sem saber o que fazer ou mesmo o que está fazendo.
Mas o mundo continua girando, as pessoas trabalhando, os dias passando... E você, você não sabe se está morto ou se está vivo. E deseja voltar. Enlouquece. E deseja um dia, ainda voltar a crer no amor.
Para talvez padecer mais uma vez...

Deixo o espelho cair e se fazer em mil pedaços. Saio e logo a luzinha amarela se esmorece.

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