segunda-feira, 3 de setembro de 2012

PELA JANELA DO HOTEL





Pela janela do hotel, foi que vi o louco passar.
De bicicleta e a gritar que o mundo, esse sim é que é doido.
E foi-se embora a cantar. 
E então eu pergunto agora: quem é o louco nessa hora?
Quem é que é são agora?
Sou eu aqui? Ou é ele lá fora?

 Vejo também o sujeito sério
Que passa resmungando.
E o outro ainda, ocupado de mais
Digitando no celular
Não olha para o lado
Nem vê o tempo e o ônibus passar.

E aquela morena bonita! De longo cabelo.
A loira de jeans apertado! Uau!
Parece até que sinto o seu cheiro.

Pela janela do hotel vejo os carros que passam depressa.
E também os que ficam bem ali em baixo.
Com seu som infernal que faz tremer a vidraça
E quase não me deixa dormir.
Mas vejo também o povo que chega
E com eles assisto à missa na Matriz.

Pela janela do hotel
Eu posso vê-los passar
E eles também podem me ver, parado, somente a olhar.

Por que fico aqui olhando pela janela do hotel?
Não deveria estar eu ali a contemplar?
Do outro lado do vidro
Que protege a minha alma
Mas ainda assim, a deixa enxergar.

Calo-me!
Deixa que fale a Alma!